terça-feira, 1 de maio de 2012

Lágrimas de Café

E eu que já bebi todo o pó de café da minha casa, espero ansioso uma ligação sua para aplacar a minha necessidade. Ok , é claro que eu sei que nunca mais o meu celular irá receber as suas ligações no meio de uma madrugada fria apenas me desejando bons sonhos, nunca mais receberei sms quando estiver em uma reunião importante do trabalho onde todos os acionistas irão me olhar de cara feia pelo toque bobo que tem meu celular. Mas ainda assim eu espero.

Hoje faz cinco anos que tudo aconteceu, pensando bem eu não sei o que exatamente ocorreu entre nós, química, comunhão de almas, amor, seja lá a porra que chamem foi isso mesmo. Foi em uma madrugada como esta, fria, desalmada em que eu estava na frente do meu PC jogando na grande rede um jogo qualquer, quando recebo um convite para participar da mesma guild que você comandava. Pedido aceito e por várias noites nossos avatares lutaram juntos batalhas monstruosas, no jogo a nossa vida não poderia ser melhor. 
Tudo fluía, era como se tivéssemos construído juntos os avatares.

Engulo agora mais uma xícara de café tentando dissipar algumas de minhas lágrimas, o pior de perder um grande amigo vem com o tempo quando tudo o que foi vivido parece distante, é quando a dor diminui e a ferida cicatriza.

Naquele tempo foi eufórico descobrir num bate-papo rápido dentro do jogo que você morava a uma quadra daqui, quem diria que a pessoa com quem eu mais conversava estava às portas de minha casa e eu não sabia.
Sim eu sempre fui retraído, não por ser tímido, mas sempre gostei mais do meu silêncio e da minha solidão ao barulho do mundo, na minha realidade eu podia ser quem eu quisesse, lá fora eu só podia ser eu mesmo.

Tivemos nossas longas noites conversando, agora já não mais através do jogo que nos uniu, mas pessoalmente, acompanhadas de muitas xícaras de café, outra de nossas coisas incomum.
Naquela época o calor da xícara aqueceu meu corpo e sua voz rouca e macia agradaram meu coração. Hoje, o café me faz companhia e lembrança de sua voz alimenta a minha solidão.